
Com influências que vão de Gal Costa a Olivia Rodrigo, o projeto aborda as dinâmicas tóxicas do mercado musical e o machismo estrutural.
São Paulo, 24 de julho de 2026 – Frustração, desgaste e a mais pura verdade artística. É desse lugar de inconformismo que nasce "Não me Comove", o novo EP da cantora e compositora Natasha Hoffmann. Movida pelo cansaço diante das engrenagens tóxicas da indústria da música e das desigualdades que moldam a sociedade atual, a artista apresenta um trabalho visceral, maduro e sonoramente corajoso.
O título do projeto busca uma benção e uma inspiração direta na ancestralidade do samba: a célebre frase "não me comove o pranto de quem é ruim", da obra "Tendência", eternizada por Dona Ivone Lara. Embora o EP passe longe do gênero musical do recôncavo carioca, a conexão se dá na essência. Natasha se apropria da crueza e da honestidade dessa premissa para fincar os pés e declarar que não se curvará aos absurdos, cobranças e ao egoísmo de quem espera que o artista anule a própria vida em prol de demandas alheias.
Conceito e Narrativa
Composto integralmente por Natasha, o EP funciona como um desabafo costurado ao longo do tempo. A narrativa ganha tração a partir do single "NARRATIVA!", cujo papel é estabelecer o tom de revolta e exaustão que ecoa pelas faixas seguintes (como a intensa "hiperfixação"). O fechamento do projeto se dá com a sensível e cortante "meu objeto", canção que se afasta dos bastidores da música para mirar em uma ferida social muito mais ampla: a forma como os homens enxergam as mulheres — invariavelmente sob a ótica da objetificação e da subalternidade. É uma faixa feita para gerar acolhimento e identificação para o público feminino, ecoando dores coletivas reais.
"Eu escrevi muita coisa para esse EP porque estava frustrada e cansada com a maneira que muitas coisas funcionavam — e ainda funcionam na sociedade hoje em dia. Espero que as pessoas entendam que o mercado ainda é muito machista e que ser artista é bem mais difícil do que parece. O fato de a desigualdade ter melhorado não significa que ela tenha acabado" — Natasha Hoffmann.
Sonoridade Ousada
Para traduzir sentimentos tão densos e complexos, Natasha buscou caminhos estéticos mais audaciosos e livres do que em seus lançamentos anteriores. O caldeirão de referências do EP costura universos ricos e contrastantes, passando pela atitude e crueza do rap contemporâneo de Ebony, a sofisticação imortal de Gal Costa, o pop-rock confessional de Olivia Rodrigo e a energia orgânica e visceral dos Red Hot Chili Peppers.
Esse ecletismo reflete um processo de produção longo e minucioso, assinado em parceria com Raphael Dieguez. A faixa "meu objeto", por exemplo, começou a ser desenhada ainda em 2018. Foram anos de maturação escrita e pessoal até que Natasha encontrasse as ferramentas certas para transmitir a mensagem com o impacto necessário. O resultado é uma obra coesa, onde arranjos, melodias e dinâmicas vocais conversam com precisão, transformando o sufoco inicial em um processo de gravação profundamente catártico e libertador.
FICHA TÉCNICA
● Todas as músicas escritas por: Natasha Hoffmann de Souza
● Produção Musical: Natasha Hoffmann e Raphael Dieguez
● Mixagem e Masterização: Victor Nery
● Guitarras em "NARRATIVA!": Beatriz Quental
● Baixo em "NARRATIVA!": Raphael Dieguez
● Bateria em "NARRATIVA!": Manuella Terra
● Bateria e Baixo em "hiperfixação": Raphael Dieguez
● Violão em "meu objeto": Beatriz Quental
● Arranjos em "meu objeto": Beatriz Quental e Natasha Hoffmann
● Arte da Capa: Beatriz Quental
● Foto da Capa: Tadeu Goulart
CONFIRA AS LETRAS DO EP AQUI.
(Fotos: Divulgação)






