Trombonista brasileiro Felipe Brito é diretor em Festival de Jazz nos Estados Unidos

Reginaldo Faria Primo
Reginaldo Faria Primo

Músico, educador e gestor cultural despontou em projetos sociais em São Paulo para o destaque internacional numa jornada marcada por inclusão, talento, dedicação e impacto social

O trombonista brasileiro Felipe Brito é o diretor da 26ª edição do Festival de Jazz Clark Terry – Phi Mu Alpha, que acontece nos dias 13 e 14 de fevereiro, sexta e sábado, na Southeast Missouri State University, nos Estados Unidos.

O festival é um evento anual que recebe músicos dos Estados Unidos e internacionais. Este ano o artista convidado, é o aclamado trompetista de Nova York, Jay Webb. Jay se apresenta regularmente com Cory Wong, 8bit Big Band, diversos shows na Broadway em Nova York, Queen Latifah, The NSO, The Roots e John Legend.

O festival de jazz acontece na Southeast Missouri State – SEMO, onde Felipe é professor, recebendo anualmente mais de 13 escolas, 23 grupos musicais, e 450 alunos de diversas escolas do Missouri, Tennessee e Illinois.

Juntamente com Jay Webb, Felipe traz para o festival três músicos para serem jurados das escolas convidadas. Andrew Binder, baixista de St. Louis, Louie Pereira, baterista de Los Angeles, e o pianista brasileiro que vive em Miami, Thiago Camargo.

Junto com a apresentação principal do Festival, Felipe organiza uma noite com Jam Session no Spectrum Record Lounge para os alunos e o Underground Jazz no Scout Hall, trazendo a vibe de um jazz club para a cidade de Cape Girardeau, Missouri. Uma semana repleta de apresentações de jazz com músicos do mundo todo.

– O meu objetivo é criar uma conexão cultural nacional e internacional através da música. O festival cresce a cada ano. Este já é o meu terceiro ano como diretor. O evento apresenta excelentes músicos, estudantes e artistas convidados de todo o país, todos contribuindo para um vibrante festival de jazz e a celebração da performance e da educação musical – explica Felipe Brito.

No Brasil, Brito teve a oportunidade de participar em festivais de música tanto em municípios do interior de São Paulo, como Itu, Tatuí e Ourinhos, como também em São Paulo, Curitiba e Brasília. Hoje, segundo ele, a busca é de criar essas experiências únicas através da música para os seus alunos e para os convidados nos Estados Unidos, construindo pontes pelo mundo.

– Tenho o objetivo de levar este festival para o Brasil e outros países, ajudando a próxima geração de músicos e estudantes de música. Quero conectar diferentes culturas e artistas nacionais e internacionais. O nome do evento leva referência ao grande músico de jazz do Missouri, Clark Terry. Vamos fazer isso acontecer – projeta.

Do interior de São Paulo aos palcos e universidades nos EUA

Trombonista, educador, compositor, gestor cultural e doutor em Música pela Universidade do Texas (EUA), Felipe Brito consolida sua trajetória como uma das vozes mais influentes da música brasileira no exterior. Importante multiplicador ao unir excelência musical e impacto social, ele celebra conquistas que vão da ampliação do acesso à educação musical comunitária no Brasil aos mais prestigiados palcos dos Estados Unidos.

Nascido em meio a projetos musicais comunitários em Itu, no interior de São Paulo, Felipe teve sua formação alicerçada em ambientes onde a música unia pessoas de diferentes origens sociais, religiosas e econômicas. Esse cenário moldou sua visão humanitária e sua crença profunda no poder transformador da educação musical.

Aos 20 anos, inspirado pelo exemplo de seus professores, Felipe passou a lecionar em instituições filantrópicas como o Projeto Guri e a ASSATEMEC, ajudando crianças brasileiras em situação de vulnerabilidade. E a sua paixão pelo ensino permanece como um dos pilares de sua carreira.

Formação internacional e ascensão artística nos EUA

Após se destacar como aluno de música na UNICAMP, Felipe recebeu incentivo de professores americanos para seguir carreira internacional. Em 2012, mudou-se para os Estados Unidos, onde conquistou bolsa integral para o mestrado na Jacobs School of Music – Indiana University. Tornou-se finalista em concursos como o Latin American Music Recording Competition e o Brass Concerto Competition.

Em 2017, completou o Artist Diploma no Cleveland Institute of Music. Atuou como trombonista principal do Cleveland Opera Theater e músico substituto de diversas orquestras profissionais de Ohio e Pensilvania.

Atuação acadêmica e liderança cultural na Southeast Missouri State University

Desde 2021, o Dr. Felipe Brito é Professor de Trombone e Diretor de Jazz e Música Comercial na Southeast Missouri State University (SEMO), onde conduz um amplo conjunto de atividades acadêmicas e artísticas. Isso inclui, por exemplo, a liderança de duas big bands – com mais de 50 alunos – com cinco concertos anuais, incluindo o Clark Terry Jazz Festival, a criação do SEMO Gigging Project, da Jam Session Night, e do Underground Jazz at Scout Hall, conectando estudantes à comunidade local, participação nos comitês de Bolsas, Recrutamento, Diversidade e Conselho da Fundação e criação de uma Bolsa de Estudos de US$ 10.000 para estudantes de Jazz e Música Comercial.

Em 2025, Felipe recebeu o SEMO Research and Creative Activity Award, destacando sua contribuição artística e social para a universidade.

Conexão com o Brasil: recrutamento internacional e impacto social

Felipe retorna anualmente ao Brasil para recrutar jovens talentos em escolas públicas, universidades e projetos sociais. Em 2024, visitou instituições como FAETEC, Escola de Música da Rocinha, UNIRIO, Orquestra de Heliópolis, Projeto GURI, UNICAMP e Colégio Anglo de Itu.

Como resultado direto dessa iniciativa, três estudantes brasileiros — Mayara, Matheus e Gustavo — receberam bolsas integrais e ingressaram na SEMO em 2025, ampliando o intercâmbio cultural e acadêmico entre os dois países.

Broadway, grandes orquestras e circuitos internacionais

Felipe alcançou projeção artística ao integrar, como trombonista substituto, a produção da Broadway “Buena Vista Social Club”, vencedora de cinco Tony Awards em 2025, incluindo Melhor Orquestração e um prêmio especial para a banda.

A sua carreira sinfônica também seguiu em expansão. Em 2025, Felipe atuou como músico substituto — na cadeira de primeiro trombone — da prestigiosa New Jersey Symphony, executando obras como Pássaro de Fogo (Stravinsky) e Pinos de Roma (Respighi).

O músico já se apresentou também no Lincoln Center, em Nova York, e no Severance Hall em Cleveland, fortalecendo sua presença no cenário artístico norte-americano.

Álbum de estreia celebra música afro-brasileira no mercado norte-americano

Em setembro de 2024, Felipe lançou “Não Deixe para Amanhã” pelo selo nova-iorquino Outside in Music, de Nick Finzer. O álbum mistura jazz contemporâneo com ritmos afro-brasileiros como samba, maracatu, alujá e bossa nova.

O projeto reúne músicos premiados com Grammy Latino, entre eles:
Adonias Junior (engenheiro de som), Raphael Ferreira (sax), Fábio Leandro (piano), Rodrigo Bras (bateria) e Jackson Silva (baixo).

O trabalho destaca a sub-representação de músicos afro-brasileiros e latinos nos EUA, reforçando o papel de Felipe como ponte cultural entre Brasil e América do Norte.

Mais informações sobre Felipe Brito: https://www.felipebritomusic.com/

Site do festival: https://semo.edu/colleges-departments/arts-media/music/festivals/clark-terry

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