*Por Flavio Costa

Acompanhar de perto a operação de postos de combustíveis ao longo de mais de duas décadas me mostrou que eficiência não é apenas uma meta operacional. É um diferencial competitivo que determina margem, sobrevivência e capacidade de investimento. Trabalhando diretamente no desenvolvimento de softwares comerciais e de automação para o setor desde o início dos anos 2000, observei um padrão que se mantém até hoje: sempre que um posto perde controle sobre dados, processos ou indicadores, sua lucratividade cai antes mesmo que o gestor perceba onde está o problema.
Falo de eficiência sob uma perspectiva prática, apoiada em gestão de tecnologia, controle operacional e redução de assimetrias de informação. Apesar de o setor lidar com margens tradicionalmente apertadas, ainda há grande espaço para otimização. Em muitos estabelecimentos, decisões são tomadas com base em percepções, não em métricas consolidadas. Isso contrasta com mercados mais digitalizados, nos quais o gestor monitora o negócio quase em tempo real.
Entender o comportamento da operação é mais importante do que reagir a ela
Uma das principais percepções que tive ao longo dessa trajetória é que prever gargalos costuma ser mais barato e eficiente do que resolvê-los. Seja na automação de bombas, no controle de tanques ou na gestão de vendas, a coleta estruturada de dados permite identificar tendências que o olhar humano dificilmente captaria. A volatilidade dos preços, a oscilação diária de vendas e a sensibilidade aos movimentos concorrenciais tornam essencial trabalhar com previsibilidade, não apenas com resposta rápida.
A ineficiência aparece, muitas vezes, nas pequenas distorções. Um tanque com margem de segurança mal calculada, uma bomba com leitura divergente, um processo de conciliação demorado ou um time despreparado para analisar os próprios indicadores podem custar mais do que um reajuste não repassado ao consumidor.
Tecnologia não substitui gestão, mas evidencia o que precisa ser corrigido
Ao criar soluções específicas para o segmento, percebi que a tecnologia só gera resultados quando o gestor usa os dados de forma crítica. Sistemas apontam inconsistências, mas é a análise que transforma alertas em ações. A eficiência nasce quando os números deixam de ser apenas registros contábeis e passam a guiar decisões estratégicas.
É comum que postos tecnicamente bem equipados ainda enfrentem rupturas operacionais. Em muitos casos, o desafio não está no software ou no hardware, mas sim na ausência de processos consistentes: falta de padronização no fechamento, ausência de auditorias internas, pouca cultura de revisão periódica e gestão de equipe sem indicadores claros de desempenho.
Eficiência é também uma questão de transparência e governança
O avanço regulatório, tanto em questões fiscais quanto ambientais, exige um nível crescente de controle. Não se trata apenas de cumprir normas, mas de proteger o negócio contra riscos que podem comprometer sua continuidade. Uma gestão eficiente facilita rastreamento, auditoria e tomada de decisão sob pressão.
Percebo uma mudança importante no setor: os postos que evoluíram do modelo operacional tradicional para uma gestão mais analítica conseguiram melhorar margens mesmo em períodos de instabilidade. São negócios que tratam informação como ativo estratégico.
Aprendizado contínuo como elemento central
Ao longo da minha carreira, pude observar que a eficiência não é resultado de uma grande mudança, mas de pequenas melhorias acumuladas. A busca por processos mais enxutos, decisões mais fundamentadas e times mais preparados deve ser constante. Postos de combustíveis estão se tornando centros cada vez mais complexos de serviços e logística, e isso exige que o gestor tenha visão ampliada, não apenas operacional.
Quando a operação é organizada, previsível e monitorada, a eficiência deixa de ser um ideal e se torna consequência. E, no cenário competitivo atual, ela é um dos poucos elementos verdadeiramente capazes de proteger resultado, reputação e capacidade de crescimento.